Apoiadores da chapa 1 - Reconstrução: Fabiane e Lúcio após debate entre candidaturas.

Trabalhadores e estudantes se mobilizam para gerir a UFPel

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Luan Badia*

Neste momento de crise econômica em que a educação é cada vez mais prejudicada pelos governos, uma parte da comunidade da UFPel ligada a movimentos sociais e a lutas históricas em defesa de uma educação pública e libertadora ousa se colocar na disputa da gestão da universidade com Fabiane Tejeda, uma candidata sindicalista e feminista e com um candidato a vice-reitor, Lucio Fernandes, que luta por uma ciência voltada para a vida no campo da agroecologia e da agricultura familiar. Mas acima da candidatura, nascida no movimento que reúne estudantes, técnicos administrativos em educação e professores, e chamamos de reconstrução, está a proposta de universidade construída e debatida junto a comunidade com princípios nítidos que dão base para uma universidade transformadora.

 Diversos interesses são colocados na disputa pela cadeira de direção máxima da UFPel, a maioria dos candidatos se dispõe a chegar lá a qualquer custo, seja via promessas irrealizáveis, distribuição de cargos, alianças indigestas, e com isso acabam representando a UFPel do século passado, que não está a altura das necessidades e possibilidades da universidade em 2016.
Passado um mês de campanha, nesta quarta e quinta, 08 e 09 de junho, será realizado o primeiro turno das eleições. Com a certeza que uma campanha propositiva, baseada na situação orçamentária da educação e por isso sem promessas mirabolantes para além de uma gestão radicalmente transparente e democrática, pode sair vencedora é que convidamos a todas e todos a olharem com atenção este processo. Em breve vamos debater aqui no “Se a Universidade Fosse Nossa” com mais detalhes. E mesmo que este projeto não saia vencedor das eleições o movimento Reconstrução continuará atuante e contribuindo na luta para mudar a universidade.
Aproveito também pra divulgar na íntegra o texto dos princípios que dão base a todas as propostas e ações do movimento reconstrução na UFPel.

AUTÔNOMA é a universidade que preserva a liberdade de sua comunidade acadêmica. Não há produção criativa de arte, filosofia ou ciência, nem é possível pensar e experimentar, sem que a universidade respire liberdade. A forma mais sutil de atacar a liberdade criativa das universidades, no caso das instituições públicas, tem sido privá-las de recursos para o desenvolvimento de suas atividades. Professores e técnico-administrativos em número insuficiente, parca infraestrutura acadêmica, reduções sistemáticas em recursos de custeio e precariedade nas condições de acesso e permanência estudantil são exemplos de ações que sufocam a autonomia universitária. Cabe aos gestores das instituições de ensino superior assumirem a posição inarredável em defesa da autonomia universitária, de forma articulada com suas comunidades acadêmicas e populações locais e ao lado dos reitores e reitoras de outras instituições que valorizam e defendem a liberdade de suas comunidades acadêmicas.

DEMOCRÁTICA é a universidade que respeita a diferença, a pluralidade e o conflito de opiniões; que estimula o diálogo e busca o consenso; que valoriza a transparência, promove a participação e estimula a cooperação da comunidade acadêmica. Esta é a forma mais ética, mas também a mais eficiente de enfrentar os desafios da universidade no nosso tempo. Além de não abrir mão da autonomia, é preciso conectar as necessidades específicas das comunidades que cercam a universidade com a produção da comunidade acadêmica. A absoluta transparência e a abertura de espaços efetivos de participação nos processos decisórios pela comunidade acadêmica, bem como o diálogo direto com a comunidade externa constituem instrumentos fundamentais para que se alcance a plenitude da democracia universitária para a nossa UFPel.

POPULAR é a universidade que aspira atender aos interesses e necessidades daqueles que historicamente a sustentaram (com seu trabalho e com seus impostos) e que historicamente foram dela excluídos, sem acesso aos seus bancos e/ou à oportunidade de produção e uso sistemáticos do conhecimento produzido na academia. A força e a luta dos setores populares, ao longo de um século, é que tem conquistado – ainda que muito lentamente e contra a forte resistência das elites – a abertura das universidades brasileiras aos mais pobres, bem como à produção de um conhecimento identificado com as suas realidades. Neste período de crise, as elites aproveitam para tentar, de todas as formas, fazer retroceder as poucas conquistas garantidas até agora. Este é o momento em que a autonomia e a democracia consolidam a força da comunidade acadêmica em defesa de um projeto emancipador e inclusivo de uma universidade que acolhe os setores populares.

COMUNITÁRIA é a universidade que compreende e assume seu compromisso social, que se reconhece como parte da comunidade em que está inserida e da qual emana seu poder como instituição; que se coloca diante do desafio de pensar seu lugar específico como parte do mundo e da humanidade. A universidade não pode deixar de enfrentar os dilemas e traumas do passado, do presente ou dos que virão no futuro. Mas deve fazer este enfrentamento articulada às forças sociais que, estando fora da universidade, constroem de forma consciente, coletiva e colaborativa as soluções para os problemas e desafios de seus lugares específicos –  com suas diferenças, pluralidades e conflitos. Por saber que é parte do todo, a universidade precisa produzir conhecimento compartilhado com os agentes sociais do seu entorno e aprender com as experiências e realidades externas.

*Luan Badia é suplente da direção nacional da FASUBRA SINDICAL e técnico administrativo em educação na Universidade Federal de Pelotas.

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