CARTA DA ABEM EM APOIO AS MANIFESTAÇÕES DOS PROFESSORES MEXICANOS CONTRA A REFORMA EDUCACIONAL

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Ao governo mexicano,

Aos professores mexicanos,

Aos pais de alunos e aos alunos mexicanos,

Aos meios de comunicação e redes sociais,
A Associação Brasileira de Educadores Marxistas – ABEM (gestão 2016-2018) vem a público manifestar apoio ao atual movimento de resistência dos professores mexicanos frente a reforma educacional imposta pelo governo Enrique Peña Nieto por entendemos que a luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho e contra a exploração capitalista, onde quer que ocorra, é luta dos trabalhadores mundiais e, como tal, deve ser defendida por seus pares.

A reforma educacional mexicana, é parte do metabolismo da nova fase do imperialismo, configura-se como mais uma batalha do capital contra a inexorável queda da taxa de lucro que penaliza diretamente os trabalhadores com a redução dos seus direitos historicamente conquistados e, neste caso, amplia o desvio dos recursos destinados à educação em favor do mercado privado de aulas e para os detentores de títulos do mercado acionário. Produz-se, assim, o distanciamento nas camadas populares da sociedade mexicana do conhecimento cientifico sistematizado que, por resistir por meio de movimentos sociais organizados, é repreendida violentamente pelo governo evidenciando o modo arbitrário e vertical (de cima para baixo) com que a reforma foi construída.

Portanto, nosso apoio se fundamenta nas seguintes posições.

  1. As reformas defendidas pelo governo mexicano não beneficiam os alunos e, tampouco, os trabalhadores da educação, tendo em vista a flexibilização trabalhista que favorece a substituição de professores experientes e com formação em magistério por outros profissionais sem qualificação para a docência, potencializando, ainda mais, a precarização do ensino;

  2. Do ponto de vista econômico, a reforma tem como objetivo diminuir os gastos públicos em educação em benefício do capital financeiro e do mercado privado. Essas medidas neoliberais muito têm prejudicado a América Latina em geral, por atacarem os direitos dos trabalhadores, tais como a retirada dos benefícios de aposentadoria, precarização das condições de trabalho, dentre outras, além de prejudicarem, drasticamente, a qualidade de ensino nas escolas;

  3. Essas reformas inibem às novas gerações considerar a docência como caminho profissional saudável e exitoso na medida em que as condições de trabalho se tornarão ainda piores, além de produzirem um nefasto descrédito na função social da escola, que busca socializar os conhecimentos mais avançados para os trabalhadores em geral;

  4. A reforma configura-se como instrumento da política neocolonialista imposta pelo capital contra os trabalhadores latino-americanos e configurando-se como política de desvio de recursos produzidos socialmente para o setor privado e para o mercado financeiro;

Sendo assim, consideramos justas e dignas a movimentação dos trabalhadores da educação no México, materializadas nas táticas de acampamentos, marchas, assembleias públicas, plantões e paralização que se configuram como instrumentos de resistência legítimos da classe trabalhadora em sua disputa com o capital e seus agentes.

Brasil, 8 de junho de 2016.

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