Para virar a maré na UnB

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Tese de ativistas do Juntos! e independentes para o Congresso de Estudantes da UnB

Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertolt Brecht

Com as tendências de sucateamento da educação nas mãos de Mendonça Filho, no governo ilegítimo de Temer, a UnB se posicionou, derrotou Ivan Camargo e elegeu Márcia Abrahão como a primeira reitora da universidade. Vitória da comunidade, que na atual conjuntura do país, mostrou que é preciso e possível derrotar a direita em nossa universidade para assegurarmos que a UnB seja uma das universidades na resistência às ameaças de Mendonça. Nós, que já esse ano, como meio de contribuir para o aprofundamento do de debate de qual UnB queremos, realizamos o lançamento da plataforma “Se a Universidade Fosse Nossa” na UnB – com a presença de figuras como do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da Comissão de Educação da Câmara Federal e de Fábio Felix – acreditamos na necessidade de defendermos um projeto de universidade com a nossa cara, e que ouça nossas vozes. Agora, nos estudantes, precisamos construir uma oposição forte contra a atual gestão do DCE, encabeçada pelo grupo Aliança pela Liberdade. Devemos e podemos lutar por um DCE dos estudantes!

#ForaTemer

Vivemos tempos de muita agitação e instabilidade. A política brasileira em 2016  foi marcada por um golpe palaciano – ou impeachment como alguns dizem – articulado pelos setores da elite e da casta política que controla o país, agravando a instabilidade política que vivenciamos no Brasil no último período, com a instalação de um governo que não conta com o apoio popular.

Com poucos meses no cargo, Temer já mostrou a que veio como presidente ilegítimo: anunciou cortes em áreas como a saúde e a educação, nomeou Mendonça Filho (DEM) para ministro da educação, José Serra (PSDB) para Ministros das Relações Internacionais, Alexandre Moraes para ministro da Justiça, dentre tantas outras nomeações bizarras; É simbólico que suas indicações não contemplarem se quer uma mulher na composição ministerial.

Recentemente, Temer anunciou uma nova Reforma da Previdência, a necessidade de flexibilizar conquistas históricas na CLT, e a privatização de creches, hospitais e presídios, onde pela terceirização, podemos esperar ainda mais a queda na qualidade desses serviços. Muitas das políticas de ajuste fiscal já haviam sido anunciadas no governo Dilma, mas agora podemos esperar uma velocidade muito maior na sua aprovação, e medidas ainda mais duras.

Diante disso, é preciso reinventar as estruturas da democracia no Brasil. Isso passa, hoje, por derrotar Michel Temer e seu governo ilegítimo, exigindo novas eleições, para que demos um passo inicial na construção de uma democracia real no Brasil, onde quem tenha poder para definir os rumos do país em situações de impasses ou crises, seja a própria população! Também precisamos fazer um balanço duro sobre a política de “governabilidade” que nos levou até aqui, que tinha como tônica a negociação das nossas pautas com os setores mais conservadores da sociedade.

Que o povo decida! Fora Temer e eleições gerais já!

Em defesa da educação pública e gratuita!

O novo ministro da educação, Mendonça Filho, é um velho inimigo da educação. Sua família está no cenário político há décadas, e representa o que há de pior na política brasileira – tendo inclusive atuado no ARENA durante a ditadura militar, além de nos dias de hoje atuar em defesa dos interesses do agronegócio por fazerem parte casta latifundiária do país. Seu histórico é marcado por atuar contra a política de implementação de cotas socio-raciais nas universidades e ser a favor da privatização do ensino público. Recentemente, Mendonça Filho anunciou sua intenção de privatizar o ensino superior público do Brasil e de iniciar cobrança de mensalidades nas graduações e pós-graduações das universidades públicas.

    Por isso, nós do Juntos! entendemos que hoje, uma das necessidades principais do movimento estudantil brasileiro seja a de organizar a resistência nas universidades contra políticas neoliberais, entoar o #ForaMendonçaFilho, e construir um campanha em defesa das universidades públicas, da gratuidade do ensino e por uma educação emancipatória crítica-reflexiva  e de qualidade nas escolas.

Por uma #EscolaSemCensura

O projeto Escola Sem Partido foi elaborado por políticos da extrema direita conservadora do Brasil, que enquadram as escolas como “locais de doutrinação política” e definem os estudantes como simples massa de manobra, que nada têm a contribuir para a produção de conhecimento ou debates sobre educação. Debatida em doze câmaras, mas em nenhuma escola, a proposta  — essencialmente anticonstitucional  —  impõe uma nítida censura na liberdade de expressão e pensamento.

Se teve algo que ficou provado com as ocupações de escolas por todo o país feita pelas/os secundaristas, é que as/os estudantes querem, defendem, apoiam e lutam por diversidade de ideias, a liberdade de pensar sem imposições e democracia real. O escola sem partido é na realidade a escola de um partido só, representante daquilo que há de mais retrógrado, reacionário e atrasado na sociedade.

Os estudantes da UnB possuem um papel muito importante na luta para barrar esse projeto que censura a educação crítica-reflexiva e voltada também para a formação de respeito aos direitos humanos. As licenciaturas da UnB devem engajar-se na luta por uma escola sem censura e onde o saber crítico possa ser construído de forma mútua, reflexiva e emancipatória.

Sabemos que censurar os professores em sala de aula serve somente aqueles que não querem que os jovens se levantem contra a situação precária da educação. Agora, visamos uma escola que coloque os alunos em primeiro plano, ouça os grêmios e movimentos estudantis, combata o machismo, racismo e LGBTfobia de forma efetiva para que os alunos se sintam acolhidos e principalmente seguros no ambiente escolar.

O Encontro de Grêmios do DF já se posicionou por uma Escola Sem Censura. Precisamos seguir o exemplo dos estudantes secundaristas e lutar por uma escola onde professores e alunos sejam ouvidos.

Para onde vai a UnB?

A Universidade de Brasília sempre foi referência nacional no tripé ensino, pesquisa e extensão. Pensada por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, a UnB tinha como objetivo quebrar as barreiras entre a universidade e o povo, entre os departamentos de diferentes áreas do conhecimento e revolucionar o ensino superior no Brasil a fim de melhorar a realidade brasileira. Este projeto foi brutalmente interrompido na ditadura – onde cabe dizer, o movimento estudantil de nossa universidade protagonizado por figuras como Honestino Guimarães e Ieda Delgado foi fundamental na resistência ao regime militar. Ademais, a UnB foi fundamental em muitas lutas do movimento estudantil brasileiro, sendo a única universidade onde os estudantes organizados e mobilizados conseguiram derrubar toda uma administração corrupta da reitoria e conquistar eleições paritárias na consulta para reitor.

Contudo, apesar de estar entre as universidades com o maior orçamento do país, não é possível ver na UnB a realização do sonho de Darcy Ribeiro. Nos últimos 4 anos, a gestão autoritária de Ivan Camargo tentou de qualquer forma “higienizar” os prédios da universidade, através de remoção de centros acadêmicos, lanchonetes, livrarias e a criminalização das confraternizações de estudantes (happy hours) e demonstrou não prezar pelo diálogo com a comunidade acadêmica, além de tentar de qualquer forma extinguir o movimento estudantil, ignorar a existência de machismo, racismo e LGBTfobia dentro da universidade e não impulsionar campanhas que coíbam esses tipos de práticas opressoras. Sabemos que isso contribuiu para o esvaziamento do debate político e para o fortalecimento dos setores conservadores na UnB, chegando ao ponto de vivenciarmos novamente ameaças contra estudantes de nossa universidade por perseguição ideológica desses setores. Mas a cada passo do conservadorismo, houve resistência na UnB. O movimento estudantil deu que respostas com atos, mobilizações, assembleias e democracia. O movimento estudantil da UnB se reascendeu e decidiu não mais se calar diante dessas atrocidades. E foram essas mobilizações e resistências que derrotaram o Ivan Camargo nas urnas. E nós também fomos parte desse processo, e precisamos seguir mobilizados pela defesa da UnB que queremos.

Mas, para isso, como já mencionamos, acreditamos na necessidade de aprofundar o debate programático. Por isso, ainda este ano, o Juntos! organizou na UnB o lançamento da plataforma “Se a Universidade Fosse Nossa”, como uma meio de contribuir para o aprofundamento do debate de qual universidade nós queremos. Precisamos debater o modelo de gestão, a gerência do orçamento, políticas concretas de combate às opressões na universidade para que a UnB de fato seja de todas/os nós.

Nos últimos 4 anos, a política tocada na UnB foi a de justamente responder à falta de recursos da universidade com um forte incentivo ao financiamento privado, articulando assim com diversas empresas do mercado o financiamento das pesquisas de nossa universidade, quebrando sua autonomia e fortalecendo a ideia de que a UnB deve produzir conhecimento a serviços de interesses mercadológicos.

Essa política foi derrotada: no último mês de agosto, com 53% dos votos, professores, técnicos e estudantes da UnB disseram não ao projeto de Ivan Camargo e elegeram Márcia Abrahão e Enrique Huelva, para reitora e vice-reitor da universidade. Nós do Juntos!, que construímos e apoiamos a candidatura de Márcia, acreditamos que agora é preciso avançar na conquista de uma UnB mais democrática, diversa, plural, com produção de conhecimento crítico-reflexivo a serviço da transformação da realidade. Acreditamos, daqui pra frente, ser necessário que o movimento estudantil da UnB se organize mobilize-se por uma agenda de conquista de pautas que precisamos avançar, como melhorias emergenciais na assistência estudantil e sua ampliação, a elaboração de um plano com metas concretas de construção de UnB tolerante e acolhedora com a diversidade, tendo políticas previstas dentro do regimento da própria universidade para casos de machismo, racismo, LGBTfobia e capacitismo, a necessária criação de uma coordenação que fiscalize as contradições de trabalho das/os terceirizadas/os, pois nossa universidade não pode ser condescendente com violação de direitos trabalhistas e humanos de nossas/os funcionários, como também assegurar espaços para que, democraticamente, os estudantes participem da elaboração das regras de convivência da universidade, e também de instâncias responsáveis pela gestão do orçamento da universidade. Além disso, sabemos também que a universidade está sucateada. Os laboratórios são insuficientes, faltam professores e disciplinas, não há suporte nem incentivo aos projetos de extensão, as pesquisas estão precarizadas e até mesmo coisas básicas como a água são raras em alguns prédios da UnB. Precisamos fazer do espaço do Congresso de Estudantes uma importante instância para o mapeamento e organização da agenda de pautas do movimento estudantil da UnB, e dele sairmos com metas concretas de campanhas para a conquista de mais direitos dentro da universidade, e consolidar a derrota do projeto privatista, elitista e reacionário que vinha sendo posto em curso na UnB.

As responsabilidades colocadas aos estudantes da UnB dizem também respeito à organização do movimento estudantil para garantir que a UnB seja um polo de resistência às tendências privatistas do MEC, como também assegurar que a reitoria se posicione dessa forma. Já varremos Ivan Camargo da reitoria, agora precisamos retomar o DCE! Educação não é mercadoria: Por uma UnB pública, democrática, diversa, gratuita e acessível!

Privatização NÃO é a solução: Não à precarização! Excelência só com investimento público!   


No contexto de crise econômica, o discurso mais comum é a necessidade de ajuste fiscal. No entanto, este ajuste significa corte de direitos sociais, precarização do trabalho, piora da vida do povo. Medidas como taxação das grandes fortunas ou auditoria da dívida pública sequer são debatidas pela casta política. O ajuste é feito para que os ricos e poderosos continuem lucrando. Por isso, o descaso com os bens públicos não ocorre de forma espontânea, e existe, na verdade, para que privatizações ocorram logo em seguida, pois a lógica é bem simples: deixar os serviços públicos o pior possível e em seguida vendê-los para empresas que financiam as campanhas eleitorais.

      Não poderia ser diferente com a universidade. Propor privatização do ensino superior público é querer vender a educação brasileira para os tubarões do ensino, que estão interessados apenas em seus próprios lucros e não ligam para a verdadeira essência da universidade ou para a qualidade de nossa formação. Outra proposta também muito comum é o pagamento de mensalidades nas universidades públicas, seja na graduação ou na pós-graduação. 

Nós do Juntos! dizemos não à precarização das universidades, à privatização, ao corte das bolsas de pesquisa, e à cobrança de mensalidades no ensino superior. O modelo de universidade que defendemos é aquele capaz de promover o debate, produzir conhecimento científico que busque também servir de base para a transformação da realidade. Queremos nos mirar no exemplo que os estudantes da Medicina e Enfermagem têm dado à toda a universidade, onde com uma ação radicalizada e ousada como sua greve e seus atos, tem conseguido colocar a necessidade da discussão de qual formação de Saúde teremos na UnB, além da luta em defesa do HUB e dos vínculos com os hospitais da zona leste. Excelência de ensino se conquista e assegura com financiamento público – com isso, melhorar a estrutura da universidade com a conclusão de obras, locais para a instalação de laboratórios, abertura de mais cursos noturnos na universidade para que estudantes que trabalham possam tem maior variedade horária – e com autonomia na produção de conhecimento!

Radicalizar a democracia na UnB!

Em tempos de crise, cortes de verbas na educação e redução do repasse para as universidades públicas, devemos nos perguntar: como a reitoria define o que é ou não prioridade nos gastos?

A resposta é uma só: transparência e democracia na gestão do orçamento da universidade. Acreditamos que é preciso lutar, até mesmo por pressões conjunturais, por uma reitoria que abra as contas da UnB, e com a participação de todos os segmentos da comunidade acadêmica, defina como será gasto o dinheiro da universidade. As/Os estudantes e as/os trabalhadoras/es não podem pagar a conta da crise!

Para conquistarmos a universidade que queremos, precisamos de democracia interna. No funcionamento da UnB, existem três conselhos responsáveis pela gestão e decisões de basicamente todos os assuntos da universidade: o CONSUNI (Conselho Universitário), o CAD (Conselho Administrativo) e o CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão). Nos três conselhos, a estrutura de peso para a votação dos conselheiros é extremamente antidemocrática: 70% do peso dos votos fica concentrado nas mãos dos professores, 15% na mão dos servidores e 15% nas dos estudantes. Para conquistarmos uma democracia interna em nossa universidade, é fundamental que a paridade nos conselhos seja assegurada, e essa é uma bandeira que o congresso de estudantes da UnB precisa abraçar. Também acreditamos ser fundamental garantir uma maior representatividade e espaço para as/os estudantes nos colegiados dos departamentos, onde um maior peso estudantil consega influenciar em assuntos como a definição das ofertas de disciplinas de acordo com a demanda dos alunos, maior transparência nos processos de seleção para projetos de pesquisa e etc.

E, cabe dizer, que também é fundamental lembrarmos que a paridade na consulta para a reitoria ainda não está institucionalizaa no regimento/estatuto da Universidade de Brasília. Uma conquista histórica do movimento estudantil não pode estar a cada 4 anos ameaçada de ser retrocedida por pretextos burocráticos ou manobras dos setores que não querem uma UnB mais democrática. É preciso institucionalizar a paridade já!

Democratização do acesso e permanência

Mesmo com a aprovação da lei das cotas, ainda precisamos lutar pela democratização do acesso a universidade. Assim sendo, consideramos um ataque o governador do DF Rodrigo Rollemberg (PSB) ter cortado a isenção do PAS que alunos de escola pública recebiam. Entretanto, os estudantes secundaristas ocuparam as ruas, até conseguir reverter parcialmente essa situação. Por isso, acreditamos na necessidade de lutar pela regulamentação de um projeto de lei na Câmara Legislativa do DF que assegure a isenção do PAS e vestibular para todos os estudantes oriundos de escolas públicas. A luta dos secundaristas também tem que ser uma luta nossa!

Após a luta para entrar, precisamos assegurar condições de permanecer no espaço universitário. Embora não tenhamos sofrido cortes nas bolsas da assistência estudantil, sabemos que as queixas no que se refere ao atraso no pagamento das bolsas, com o processo burocratizado para ter acesso a esse direito são regulares todos os semestres. Também é preciso dizer que as bolsas não são reajustadas há um bom tempo. Por isso, é preciso assegurar uma campanha pela ampliação e reajuste das bolsas da assistência estudantil, assegurando que todos os estudantes que dela necessitam para permanecerem na universidade consigam ter acesso ao auxílio.

    Por fim, é preciso pensar na necessidade da UnB ser mais acessível para a população. Pensar um projeto de expansão qualificado, com obras concluídas, contratações de professores e estrutura universitária para todas/os as/os estudantes se faz mais urgente do que nunca para fazermos da UnB uma universidade mais popular e acessível!

Por Louise, contra a misoginia e a cultura do estupro, pela vida e segurança das mulheres: é preciso varrer o machismo da UnB!

Há diversas pautas que o movimento de mulheres dentro da universidade vem reivindicando há anos e infelizmente são tratadas com descaso pela reitoria, pelos departamentos, institutos, pelo DCE. O cenário de quase indiferença e falta de diálogo com as estudantes, fez com que mulheres dos 4 campi da UnB tentassem fazer algo pelas calouras e para avançar na conquista de políticas que assegurem a permanência de nossas mulheres no espaço universitário. A Semana de Mulheres da UnB, realizada no semestre passado, foi pensada carregando a indignação de incontáveis estudantes mulheres cansadas das dificuldades que encontramos para permanecer com segurança na UnB. Até quando andaremos em lugares mal iluminados a noite? Até quando as mães terão que abrir mão de suas formações e/ou trabalhos na UnB por não termos creches disponíveis? Até quando teremos que tolerar o assédio de professores e sua impunidade, seja pela conivência dos departamentos, seja pela falta de um espaço adequado para denúncia? Durante a Semana de Mulheres, proporcionamos espaços de discussão que pudessem contemplar todas mulheres da Universidade, as servidoras, terceirizadas, estudantes e professoras. As atividades realizadas foram organizadas por mulheres do movimento estudantil, de CAs e coletivos dos 4 campi, e não houve qualquer contribuição da Reitoria, do DCE ou da DIV, nem mesmo na divulgação.

E mesmo assim, infelizmente, no último dia de debates e atividades fomos surpreendidas com a notícia do feminicidio de uma estudante de biologia dentro da universidade. Foi um choque para toda comunidade acadêmica, e principalmente para as mulheres. Mas diante de um episódio tão trágico, claramente relacionado com o machismo, qual foi a resposta do DCE? O DCE apenas comunicou o assassinato em uma rede social e divulgou a homenagem da Reitoria, naquele momento gerida por Ivan Camargo.

Pela vida das mulheres, precisamos conquistar uma universidade livre de machismo, e exigir medidas como uma comissão que tenha metas concretas de mapeamento e redução de violências, protagonizada e fiscalizada por setores estudantis, levantamento, transparência e encaminhamento concretos para todos os processos contra professores, alunos, funcionários da UnB por assédio, estupro e agressões contra as mulheres na/da universidade; Representação dos CAs dentro das comissões de acompanhamento de processos relacionados a violência contra as mulheres na/da UnB, a criação de uma comissão para o acolhimento de mulheres vítimas de violência – com composição exclusivamente feminina – para acolher e acompanhar as mulheres vítimas. Precisamos ainda de campanhas institucionais de incentivo ao registro de Boletins de Ocorrência, campanha institucional de combate aos trotes opressores (LGBTfóbicos, machistas, racistas, misóginos, capacitistas e que reproduzam qualquer tipo de opressão) com reuniões ampliadas, campanha de combate às opressões dentro das atléticas. Além disso, precisamos assegurar que o movimento estudantil, durante o congresso, encaminhe campanhas por melhorias estruturais fundamentais para a segurança das mulheres, como a criação de creches, a iluminação em todos os lugares, de todos os campi, a melhoria do transporte – Intercampi, intracampus e aumento das linhas e itinerários de ônibus-, a manutenção das áreas com grama alta da universidade –, incentivo a ocupação dos espaços da universidade no período noturno, e a realização de concurso para contratação de segurança especializada dentro da universidade, com caráter civil-especializada, com treinamento para lidar com casos de opressões, previsto no edital do concurso.

Por todas nós, vamos varrer o machismo da UnB!

Tire seu racismo e a LGBTfobia do caminho: Nossos corpos existem e eles vão ocupar a universidade!

A concretização de qualquer ambiente universitário democrático inegavelmente passa pela criação de um ambiente de tolerância à diversidade. Hoje no Brasil, felizmente, podemos ver que os movimento LGBTs e de negritude avançaram muito e conquistam cada vez mais voz e visibilidade na sociedade. Na universidade, isso também não é diferente. Vários são os coletivos de curso, programas de pesquisa e extensão que atuam no sentido de dar visibilidade à essas questões. Mas tudo isso precisa ser acompanhado de políticas institucionais que proporcionem um ambiente de debate e respeito dentro da UnB.

Em 2016 ainda, tivemos a ocupação do CCN, realizada e protagonizada por estudantes negras/os dos mais diversos cursos da UnB no intuito de assegurar que o espaço de organização, convívio, interação e debate da negritude para suas questões seja assegurado, e não utilizado como sede para o funcionamento de outros órgãos. Mesmo que a DIV (Diretoria da Diversidade) seja um órgão de extrema importância para o combate a intolerância na universidade, é preciso assegurar que todas as pautas relacionadas à diversidade tenham espaço para se organizarem na UnB.

Ainda esse ano também tivemos a realização da II Parada LGBT da UnB, e mais uma vez houve pouco – se não nenhum – suporte institucional para a divulgação e realização da mesma. Mas as estudantes LGBTs também não recuaram e garantiram a realização da parada como uma das iniciativas que precisamos sempre realizar na UnB para que ela seja cada vez mais diversa, tolerante e democrática.

Mas precisamos avançar. É preciso consolidar a política de cotas raciais na pós-graduação, assegurar a ampla divulgação de programas como o Afroatitude e os demais de assistência estudantil, como também estabelecer uma clara política de atendimento emergencial para estudantes que por LGBTfobia são expulsos ou vivem situações de violência em suas casas. Assegurar dentro do HUB um atendimento capaz de suportar todas as demandas de homens e mulheres trans da UnB, como assegurar um processo rápido e desburocratizado do reconhecimento de nomes sociais em nossos departamentos e institutos.

Consolidar o projeto de uma UnB democrática passa hoje por assegurar políticas institucionais de diversidade racial, étnica, de gênero e sexualidade. E precisamos utilizar o espaço do congresso estudantil para organizar todas essas demandas. Chega e racismo e LGBTfobia na UnB!

Por um DCE dos estudantes!

Por fim, acreditamos ser necessário abrir um diálogo com todos os estudantes da UnB sobre o que acreditamos ser o papel do nosso Diretório Central dos Estudantes, e o como o movimento estudantil precisa assegurar que ele cumpra seu papel enquanto entidade responsável por representar todas/os alunas/os da universidade.

Há 5 anos, o DCE UnB – Honestino Guimarães é dirigido pelo grupo político Aliança pela Liberdade. Totalmente ligado a antiga reitoria de Ivan Camargo, foi nítida a omissão do DCE em relação às ações autoritárias e truculentas daquela gestão. A atual gestão Aliança pela Liberdade se ausenta completamente de qualquer debate político e faz questão de esvaziar espaços de discussão na universidade, o que leva a uma despolitização de grande parte dos estudantes. Nosso Diretório Central que foi referência em diversos momentos, hoje é apático com as demandas dos estudantes.

Nós acreditamos que seja através do debate e da mobilização que os estudantes podem ter vitórias. Enfim, são muitos problemas a serem discutidos e resolvidos. E, certamente, frente a conjuntura, é importante que asseguremos que a direita seja enfraquecida politicamente na universidade. O projeto político do grupo Aliança pela Liberdade é nacionalmente reconhecido como um irradiador político para a organização da direita em diversas universidades Brasil afora, e , dado o cenário conjuntural, com o governo ilegítimo de Temer, as tendências privatizantes e conservadoras do MEC, derrotar a direita na UnB se coloca como um importante desafio para o movimento estudantil da UnB, onde a partir disso, organizemos na universidade o movimento estudantil para barrar todos os retrocessos e garantir vitórias. Para isso, precisamos fortalecer o movimento estudantil independente, democrático, ousado e comprometido com outro projeto de universidade no Congresso de Estudantes da UnB, e assim organizarmos a luta por mais direitos na universidade.

Iniciamos o processo de derrocada da direita na UnB tirando Ivan Camargo da reitoria, e é inegável o peso estudantil nessa importante vitória. Agora precisamos consolidar nossa vitória fazendo o movimento estudantil avançar em sua agenda de pautas, mobilizações e lutas, para que derrotemos categoricamente os setores conservadores, antidemocráticos, elitistas e privatistas do movimento estudantil. Acreditamos ser necessário a colocação franca desse debate no congresso, para que avancemos.

E aí, Vamos Juntos?

 

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